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Santa Teresa Caso Karyna Rondelli: Após 14h de julgamento, Atma Eller é condenada a 22 anos de prisão por assassinato de procuradora
Notícias em destaque - 10/06/2010 05:43:31
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"Numa cena de cinema, no meio do interrogatório, Atma virou a cadeira para as pessoas que assistiam ao júri e apontou para Ériki Gujanwsky, acusando-o."
Após 14h de julgamento, o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri considerou a esteticista Atma Maria Scottá Eller, culpada pelo assassinato da procuradora do município de Santa Teresa, Karyna Rondelly. Por volta da 0h30 desta quinta-feira (10), o juiz Alcemir dos Santos Pimentel leu o veredicto e sentenciou a acusada a 22 anos de reclusão em regime fechado pelo homicídio.
Posteriormente ao resultado, Atma teve de ser amparada por paramédicos que estavam de plantão no auditório da Escola Agrotécnica. O atendimento, segundo informações de funcionários do fórum da cidade, foi feito em uma sala de espera anexa ao plenário.
Durante a leitura do resultado, Pimentel não revelou quantos jurados votaram pela condenação da ré, ressaltando apenas o tempo de pena que ela deverá cumprir pelo crime que cometeu.
Após a pronúncia, não foram registradas manifestações nem mesmo por parte dos familiares da vítima, que acompanharam o julgamento desde o início. Atma Eller retornou ao Presídio Feminino de Tucum, em Cariacica, ainda na madrugada desta quinta-feira (10), conforme revelaram policiais militares da 8ª Companhia Independente do município. Na penitenciária, a acusada dividia cela com outras 27 detentas.
Início dos trabalhos
Os trabalhos da Justiça começaram às 10h, com uma hora de atraso. Às 10h13, os jurados pré selecionados foram chamados a responder presença. Atma sentou no banco dos réus pela primeira vez às 10h17, ocasião em que confirmou informações pessoais como nome e local onde morava.
Por sorteio, às 10h20, o Conselho de Sentença foi formado em definitivo. Dos 25 jurados, 24 compareceram à Escola Agrotécnica Federal de Santa Teresa. Um deles pediu dispensa. Durante a escolha dos sete responsáveis por condenar ou absolver a esteticista, dois se recusaram e, ao final o júri foi composto por quatro homens e três mulheres.
Cinco testemunhas de acusação, entre elas o irmão de Karyna, dois amigos, o sócio dela e uma tia da ré prestaram depoimento até por volta das 15h40. O auge do julgamento aconteceu às 16h05, quando Atma voltou a sentar diante do juiz e de três representantes do Ministério Público Estadual (MPES).
A esteticista foi interrogada por três horas. E foi nessa etapa que ela negou todas as acusações, afirmou que foi coagida por policiais a mentir, e apresentou uma nova versão para o crime.
Nos relatos, ela destacou que o mandante do assassinato foi o advogado e sócio de Karyna. Ele teria contratado dois homens, um deles policial, para perseguir a procuradora e exigir que a mesma entregasse alguns documentos não especificados.
Enquanto prestava depoimento, ela se voltou para o público e apontou duas vezes para o local onde o sócio da procuradora estava sentado. "Foi aquele senhor que está sentado ali", disse.
A nova versão
Atma mudou a versão e afirmou que apenas acompanharia Karyna até o local onde o encontro com um médico aconteceria. Ela revelou que jamais tramou a morte da vítima e disse ainda que as duas foram abordadas por uma dupla que as seguia em um carro.
Um dos criminosos teria amarrado as mãos das duas e prosseguido com ambas até um matagal. A acusada reforçou que num determinado momento, conseguiram se soltar das amarras e entraram em luta corporal com o bandido. Eller disse ainda que foi empurrada para o interior do automóvel e conseguiu fugir, enquanto Karyna permaneceu nas mãos do possível suspeito.
Ainda na nova versão, Atma revelou que foi forçada a inventar a história a mando de policiais, que a estariam torturando para que confessasse o crime. Ao ser questionada sobre porque guardava o celular da advogada, ela falou que não percebeu quando pegou o aparelho e o guardou em uma bolsa durante a fuga do matagal. Eller salientou ainda que só tomou conhecimento da existência dele três dias após o assassinato.
Eller disse que resolveu falar a verdade e contá-la somente no dia do juri, quando descobriu que uma pessoa influente na cidade a ajudaria. Segundo apontou, essa pessoa seria o prefeito de Santa Teresa, Gilson Amaro (PMDB).
"Resolvi falar a verdade quando uma pessoa influente disse que me ajudaria. Precisava de pessoas influentes e respeitadas em Santa Teresa para me defender".
A esteticista reforçou que um advogado chamado Ordaque Portugal teria sido mandado pelo chefe do Executivo Municipal, para saber o que aconteceu de fato e, posteriormente, tentar defendê-la em julgamento.
Após 14h de julgamento, Atma Eller é condenada a 22 anos de prisão por assassinato da procuradora.
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Fonte: Folha Vitória |
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